Pesquisa mostra alta produtividade de grãos com o uso de calcário

Após 4 anos de pesquisas, o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Anderson Lange apresentou resultados comprovando que a aplicação de altas doses de calcário em solos ácidos aumenta a produtividade em até 8 sacas de soja por hectare. Os resultados podem podem explicar a safra recorde de grãos do estado que passou de 35 milhões de toneladas de soja e 32 milhões de toneladas de milho.
O pesquisador percebeu que ao aumentar de as doses de calcário de 2,5 para 5 toneladas por hectare, a produtividade média passou de de 60,8 para 68,4 sacas/ha.
Esse era o principal objetivo do experimento, descobrir se a aplicação de doses extras de calcário em superfície teria impacto na produtividade. Para tanto, foram realizados testes com diferentes doses de calcário por hectare e misturas de calcário calcítico (rico em cálcio e baixo teor de magnésio) comparadas às de calcário dolomítico (rico em magnésio).
Também foi feita a aplicação do mineral em diferentes granulometrias, menos ou mais finas, para avaliar a capacidade do calcário de se dissolver em água ao entrar em contato com o solo. Com os avanços dos experimentos, os benefícios foram observados em plantas de soja quando aplicado o mineral direto no pé da planta, o que gerou mais grãos por vagem e aumentou a quantidade de cálcio no grão.
No milho, foram observadas plantas mais vistosas, maiores e com colmos (caule encontrado nas gramíneas como milho, cana-de-açúcar e arroz) mais desenvolvidos. "O objetivo da pesquisa não é recomendar a aplicação de 11 a 12 toneladas de calcário por hectare, mas sim, buscar um novo valor técnica e economicamente viável para se recomendar calcário e obter produtividades ainda maiores do que as que já temos no Estado de Mato Grosso”, afirma Anderson Lange, ao destacar que os resultados mostram que o solo está carecendo de calcário para aumentar as produtividades.
Bons resultados
Segundo o pesquisador Anderson Lange, que é doutor em Energia Nuclear na Agricultura e professor titular da UFMT em Sinop (478 km de Cuiabá), os experimentos de campo e também nos vasos em estufa revelaram que a saturação por bases ideal não é alcançada após a aplicação da dose de calcário recomendada pelos cálculos matemáticos do chamado V%. Com isso, as quantidades de cálcio e magnésio alcançadas no solo, insuficientes, podem limitar a produtividade das lavouras.
Na pesquisa em Sinop, foram testadas 13 diferentes combinações entre doses, misturas e forma de aplicação do calcário. O resultado foi a colheita de 88 sacas por hectare com aplicação de até 11 toneladas em superfície, após o 2º ano da aplicação. Quando se pensa em produção acumulada, o ganho robusto em produtividade na soma das colheitas da soja e do milho das safras 2018/2019 e 2019/2020 chega a 30 sacas a mais por hectare.
Foi aplicado experimento semelhante em Querência e o resultado da primeira colheita foi de milho (junho/2019) demonstrou ganho de 16 sacas em relação à área que não teve aplicação de calcário.
“O manejo nutricional na área do experimento, assim como na área comercial das fazendas que já vêm adotando a calagem mais equilibrada, tem recebido especial atenção para a aplicação de micronutrientes, utilizando-se da técnica de correção e manutenção dos níveis no solo", explica Lange.
Autor: Andhressa Barboza | Fonte: Redação/RD News | Foto: Reprodução
