População em MT lida 6 meses por ano com poluição causada por queimadas

Calor intenso e baixa umidade têm feito, ao longo dos últimos dias, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitir frequentes alertas sobre o risco de incêndios florestais e riscos à saúde da população de Mato Grosso. O período seco, já conhecido pelos mato-grossenses, vem sendo intensificado ao longo dos anos e frequentemente é acompanhado da intensificação das queimadas em seus biomas.

 

Há, dessa forma, uma preocupação crescente com a qualidade do ar em várias regiões do Brasil, especialmente nas áreas afetadas pelas queimadas na Amazônia. Um recente estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), com base em dados de satélite do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, revelou que a poluição causada por queimadas atinge metade do ano em 12 estados brasileiros, incluindo Mato Grosso.

 

Intitulada “Air pollution from forest burning as environmental risk for millions of inhabitants of the Brazilian Amazon: an exposure indicator for human health” a pesquisa destaca que os incêndios, predominantemente resultado da atividade agropecuária, liberam partículas poluentes conhecidas como material particulado fino na atmosfera, prejudicando a qualidade do ar e colocando em risco a saúde humana. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu um limite diário aceitável de 15 microgramas por metro cúbico para a concentração desse material, mas em muitos locais afetados, esse limite é frequentemente ultrapassado.

 

Mato Grosso, especificamente, é um estado que enfrenta esse desafio. Dois municípios do estado, Feliz Natal e Cláudia, estão entre os dez com as maiores porcentagens de dias de má qualidade do ar durante o período de 2010 a 2019. Essas cidades estão localizadas na chamada "Arco do Desmatamento da Amazônia", uma região altamente afetada pelo desmatamento ilegal, expansão da agricultura e pecuária, e outras atividades humanas que levam à destruição da floresta.

 

A exposição à poluição do ar, especialmente causada por queimadas, tem sérias consequências para a saúde humana. As partículas finas e outros poluentes liberados durante os incêndios podem penetrar profundamente nos pulmões e até na corrente sanguínea, causando problemas cardiovasculares e respiratórios. A epidemiologista Eliane Ignotti, professora da Unemat e uma das autoras do estudo, alerta que essa poluição afeta a qualidade de vida das pessoas e pode sobrecarregar o Sistema Único de Saúde (SUS) nas regiões afetadas.

 

Além disso, os cientistas destacam que os impactos não são iguais para todos os indivíduos. As crianças, idosos e pessoas em vulnerabilidade social e econômica são mais vulneráveis aos problemas de saúde associados à poluição do ar. Diante disso, a equipe de pesquisa planeja analisar os impactos econômicos e sociais dessa elevada exposição à poluição do ar no Brasil. O estudo destaca a importância de políticas públicas voltadas para a preservação do meio ambiente e para mitigar os efeitos negativos da poluição na saúde e qualidade de vida da população.

 






 

Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Prefeitura de Cuiabá