Prefeito diz que assentados não tem aptidão pra terra e gera revolta entre pequenos produtores de Sorriso

Pequenos produtores rurais classificaram como inoportuno e infeliz um comentário feito pelo prefeito de Sorriso, Ari Lafin (PSDB), de que alguns moradores do Assentamento Jonas Pinheiro (Poranga) “não teriam aptidão para lidar com a terra”. (VEJA AQUI).
“Conheço a Poranga há 20 anos, desde quando fui vereador e lá sempre teve problemas. De nada adianta me dar 20 hectares se eu não planto. Eu vou pedir todo ano pra vocês (secretaria de Agricultura e Meio Ambiente) gradear, pá, pá e eu não vou fazer (sic)”, disparou Lafin na última quarta-feira (4), durante o ato de entrega de maquinários para as secretarias municipais de Transportes, Obras e Serviços Públicos e Agricultura e Meio Ambiente.
Ainda em tom de crítica, o gestor anunciou a retirada de maquinários e implementos agrícolas cedidos à associações de pequenos produtores.
Segundo Lafin, o motivo seria a suposta desorganização dessas entidades.
“[…] vamos organizar isso pelo Poder Público, porque de nada adianta passar um caminhão para uma associação se na hora de abastecer eles [pequenos produtores] não têm dinheiro”, asseverou.
“Ele disse que a associação não tem dinheiro para abastecer as máquinas, mas o que eles estão fazendo com o dinheiro que sai da Poranga? Nunca pedi nada de graça para a prefeitura. Todo os serviços feitos dentro de minha chácara eu paguei. Eu paguei por cada centavo de hora/máquina trabalhado”, rebateu uma moradora num grupo de WhatsApp que reúne mais de 250 moradores do assentamento.
“Parabéns, agora está aí a resposta pra quem votou nesse malacafento desse barra botas”, desabafou uma assentada.
Descaso
Implantado em 2001 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Assentamento Jonas Pinheiro é composto por 200 lotes distribuídos em uma área estimada de 7,2 mil hectares de terra.
Apesar de estar localizado a cerca de 25 quilômetros do perímetro urbano de Sorriso, a comunidade rural sofre com a falta de investimentos em setores como saúde, educação e infraestrutura.
Exemplo disso, são as péssimas condições de trafegabilidade por qual se encontram as duas rotas de acesso a comunidade rural o que dificulta o escoamento da produção de hortifrutigranjeiros e o transporte de estudantes.
“O município tem apenas dois distritos e um único assentamento. Uma arrecadação prevista em R$ 612 milhões e, mesmo assim a prefeitura não consegue oferecer um serviço digno à sociedade. Ao contrário, para ofuscar sua incapacidade de gestão o prefeito ataca aqueles a quem ele deveria respeitar como cidadãos e geradores de emprego e renda”, observa outro morador.
Autor: Nilva Santos | Fonte: Redação | Foto: Divulgação
