Produtores de Nova Ubiratã apontam perda de 50% da produção de milho e sugerem Estado de Emergência

Com uma área estimada em 320 mil hectares destinados a cultura do milho os produtores rurais de Nova Ubiratã ainda sentem o efeito da falta de chuvas.

 

O município, que atualmente ocupa o posto de 4º maior produtor de grãos de Mato Grosso, foi um dos primeiros a cogitar a possibilidade de ingressar com um novo pedido de Estado de Emergência.

 

A decisão foi tomada durante uma reunião, realizado em junho, quando os sindicatos dos produtores e trabalhadores rurais apresentaram dados referentes as perdas da produção que esse ano podem chegar a até 50%.

 

“A estiagem que atingiu o Estado de Mato Grosso no auge do desenvolvimento da cultura do milho foi amplamente divulgada pela mídia, assim como os seus reflexos já estão sendo sentidos pela economia, tanto a nível nacional como a nível internacional. E é fato certo que a região rural de Nova Ubiratã foi uma das mais prejudicadas por essa estiagem, tanto que os primeiros dias de colheita na região já estão revelando médias extremamente baixas e até mesmo várias lavouras com perda total da produção”, diz trecho de documento emitido pela classe.

 

Segundo os produtores, a perda da produção de milho, hoje cotado em R$ 22 reais a saca, impossibilitou o pagamento dos pacotes firmados com as revendas de insumos agrícolas da região.

 

“Muitos produtores optaram em fazer a venda antecipada dos grãos, sendo que muitos atrelados aos contratos de venda futura, o que era mais viável na época, porém esses contratos preveem o pagamento de multas contratuais pelo não cumprimento da entrega, o que não será possível devido a perda de parte das lavouras”, afirma o sindicato dos produtores.

 

Para tentar minimizar os impactos na economia local a classe tem sugerido que os produtores renegociem suas dívidas.

 

“O único caminho que se visualiza para os produtores que estão sendo afetados pela estiagem é a busca pela renegociação amigável com aqueles que compraram o seu cereal, sendo que as entidades que assinam esta nota acreditam veementemente na compreensão por parte das tradings, bancos, revendas e multinacionais para que as renegociações se concretizem da forma mais benéfica possível para os envolvidos, visto que todos precisam e dependem da recuperação dos agricultores diante dessa crise e da continuidade da atividade agrícola”, assinala.

 

Ao final da reunião ficou acordado que as entidades representantes de produtores e trabalhadores rurais elaborem um estudo técnico que comprovem as perdas e a eventual necessidade do Decreto de Emergência, assim como aconteceu, em janeiro deste ano, na safra de soja.

 

Além de produtores e trabalhadores rurais, a reunião ainda contou com a presença de representantes da Associação Comercial e Empresarial, prefeitura, câmara de vereadores e da assembleia legislativa de Mato Grosso.

 

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Autor: Michel Ferreira | Fonte: Redação | Foto: Divulgação