Produzir milho fica mais caro e acende alerta em MT

A produção de milho em Mato Grosso ficou mais cara em janeiro de 2026 e acendeu um alerta para Safra 2026/27. Em janeiro, o custeio da cultura foi projetado em R$ 3.558,08 por hectare, avanço de 7,19% no comparativo mensal. A alta foi puxada principalmente por mudanças técnicas no levantamento e maior uso de insumos no campo.
Os dados fazem parte do Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA), divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT). O estudo aponta que a incorporação de novos painéis de custo de produção impactou diretamente a composição das despesas, além do aumento na quantidade aplicada de corretivo de solo.
Entre os componentes do custeio do milho, o grupo de defensivos foi o que mais pressionou os gastos, estimado em R$ 875,29 por hectare, com alta de 18,64%. A mão de obra também registrou elevação expressiva, de 21,17%, alcançando R$ 235,70 por hectare.
Já as sementes somaram R$ 826,94 por hectare, avanço de 6,36%. O levantamento ainda indica substituição de produtos, especialmente dos defensivos, associada à busca por maior efetividade no resultado das produções.
Segundo o coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do Imea, Rodrigo Silva, o trabalho amplia a base de informações disponíveis ao produtor e contribui para decisões mais alinhadas à realidade do campo.
“O projeto conta com a participação crescente dos produtores, o que nos permite acompanhar com mais precisão a realidade do campo e, assim, devolver para o produtor informações de qualidade para auxiliar na tomada de decisão”, disse o coordenador.
Variação no custo
Enquanto o milho apresentou encarecimento, a soja transgênica teve movimento de alívio no período. O custeio foi estimado em R$ 4.156,03 por hectare em janeiro, queda de 1,8% frente a dezembro de 2025, influenciada principalmente pela retração nos gastos com defensivos (-5,69%) e sementes (-2,94%). Mesmo assim, os fertilizantes seguem como o principal componente do custo da oleaginosa, somando R$ 1.582,92 por hectare, com alta mensal de 2,62%.
O algodão permanece como a cultura de maior custo de produção em Mato Grosso. O custeio foi estimado em R$ 10.295,48 por hectare, com leve recuo de 1,39% no mês. Os defensivos lideram a estrutura de gastos, com R$ 4.588,79 por hectare, seguidos pelos fertilizantes, que somaram R$ 3.291,47 por hectare.
Realizado mensalmente, o CPA reúne indicadores técnicos e econômicos para apoiar o planejamento e a gestão das atividades agropecuárias no estado.
Autor: Marcos Salesse | Fonte: Redação/Primeira Página | Foto: Senar-MT
