Réu por mortes em fazenda do ex-bicheiro João Arcanjo é inocentado

O réu Édio Gomes Junior foi inocentado da participação na tentativa de homicídio contra 4 pessoas, ocorrida em 2004. A decisão foi publicada no Diário de Justiça Eletrônico (DJE) de 7 de junho deste ano. O homem é ex-pistoleiro do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro e passou 17 anos foragido, sendo preso em Sergipe, em março de 2021.

 

Segundo a decisão do juiz Murilo Moura Mesquita, da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, não há provas suficientes para comprovar a autoria do réu no crime citado e condená-lo.


“Ressalte­se que não se trata de reconhecimento da inocência do réu, mas de constatação da inexistência de indícios suficientes de sua autoria ou participação, o que não obsta ao Ministério Público, caso vislumbre a existência de prova nova, renovar a acusação, nos termos do art. 414, parágrafo único, do Código de Processo Penal, franqueando ao réu o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Assim, por não constatar a existência de “indícios suficientes de autoria ou de participação”, impõe-se a impronúncia do acusado. Diante do exposto, com fulcro no art. 414, do Código do Processo Penal, IMPRONUNCIO o réu Édio Gomes Junior, em relação ao crime de homicídio qualificado tentado que lhe foi imputado na exordial. Por consequência, REVOGO a prisão preventiva de Edio Gomes Junior”, diz a sentença de novembro de 2021, mas que só saiu no DJE este mês.


Segundo dados do processo, no dia 27 de fevereiro de 2004, o acusado e os comparsas Carlos Sérgio André, Alderi de Souza Ferreira e Valdinei Luiz Ademias tentaram matar a vítima Vidal Sérgio Rondon e colegas que foram ao local pescar em um tanque. Eles foram pegos de surpresa e foram baleados nas costas.


A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) em 2009 e decretada a prisão dos acusados. Nesses anos desde o crime, Carlos Sérgio e Valdinei foram inocentados. Em relação a Alderi e Édio o processo foi suspenso e a prisão de Édio cumprida em 15 de abril de 2021, 17 anos após o crime.


Após oitivas e coletas de provas, o MPE manifestou pela impronuncia do réu Édio Gomes, julgado agora. As testemunhas e a vítima, na delegacia, constaram a dinâmica na data da tentativa de chacina, mas confessaram que não tinha condições de reconhecer os autores dos disparos.


Édio também é acusado de envolvimento na “Chacina da Fazenda São João”, na qual foram mortos os amigos Itamar Bastos Barcelona, Francisco José Ferreira Almeida, Arili Manoel Oliveira e Pedro Francisco Silva, em março de 2004. Ele ainda não foi julgado pelo crime e os comparsas já condenados. Todos trabalhavam como seguranças na fazenda de Arcanjo.


As versões apresentadas pelos seguranças Aderval José dos Santos, "Paraíba", e Carlos César André, "Pezão", que participaram do crime foram detalhadas pela polícia, filmadas e fotografadas para serem anexadas ao inquérito. Eles confirmaram que as vítimas foram amarradas e jogadas no lago em que pescavam. As vítimas demoraram pelo menos 20 minutos para morrer.


Foram denunciados pelos crimes de homicídio quadriplamente qualificado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha, Joilson James Queiroz (gerente da fazenda e mandante do crime), Norenci Ferreira Gomes (chefe dos seguranças), Édio Gomes Júnior, Alderi Souza Ferreira ("Tocanguira"), "Paraíba", Valdinei e Evandro. Seis continuam foragidos. Joilson foi preso em fevereiro desde ano, no Acre.

 

 

 

 

Autor: Jessica Bachega | Fonte: Redação/Gazeta Digital | Foto: Otmar de Oliveira