Secretário de Saúde de MT critica fala de Bolsonaro sobre mortes em decorrência do coronavírus

O secretário de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, criticou a reação do presidente Jair Bolsonaro com relação às 474 mortes de pessoas com coronavírus em 24 horas, um recorde para o país, que ultrapassou cinco mil óbitos na terça-feira (28). O número já é superior ao da China, país de origem da pandemia, que notificou 4.643 mortes.
A declaração de Gilberto ocorreu durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (29) enquanto ele comentava os dados do Covid-19 em Mato Grosso.
Na terça-feira, após ser questionado pela imprensa sobre as mortes em decorrência do Covid-19 no Brasil, que ultrapassaram as da China, presidente respondeu: 'E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?’.
“É desconfortável. Todos nós que estamos em cargos da saúde devemos levar em consideração os números existentes. Não vejo com certo conforto a flexibilização [das medidas de combate à doença]”, afirmou o secretário do estado.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) registrou em Mato Grosso 263 casos confirmados da Covid-19 até esta terça, sendo registrados 11 óbitos em decorrência do coronavírus no estado.
“Estatisticamente, é uma coisa lógica: quanto mais pessoas em casa, menor é o risco de infecção. Quanto mais você sair pra rua, maior é o risco”, alertou o secretário.
No boletim, a SES também divulga que a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe, atualmente, de 99 leitos de UTI e 402 leitos de enfermaria especificamente para pacientes com coronavírus no Estado.
“O pico da doença ainda não aconteceu no Brasil e nem em nenhum estado. Todos os dias temos casos novos. Imagina-se que o ápice aconteça no mês de maio com a chegada da estação do inverno, com outras gripes e crescimento de síndromes respiratórias”, estimou Gilberto.
Autor: Denise Soares | Fonte: Redação/G1MT | Foto: Divulgação
