Sem dinheiro, arrendatários relatam dificuldades para pagar as contas em MT

O final da colheita do milho segunda safra se aproxima em Mato Grosso e mesmo diante da expectativa de produção recorde, os resultados no campo não são suficientes para tirar do vermelho alguns agricultores do estado. Diante dos altos custos de produção – incluindo novas despesas com tributos – quem colheu abaixo do que esperava, alega dificuldades para fechar as contas e honrar compromissos feitos com antecedência.
Em Diamantino, médio-norte do estado, a preocupação é grande entre pequenos e médios agricultores arrendatários. É o caso do agricultor Reginaldo Cazetta, que começou a safra esperando colher pelo menos 120 sacas de milho, mesma quantidade do ano passado. O produtor viu os planos serem frustrados diante da instabilidade climática, que comprometeu grande parte da lavoura e derrubou o desempenho do milharal. O agricultor acabou colhendo 40 sacas a menos do que esperava. “Praticamente é o meu lucro que já é pouco no milho e já vai entrar no vermelho”, desabafa.
O desafio agora, explica, é honrar os compromissos que dependem da renda da produção para serem pagos. Entre eles as despesas com a safra, o custo do arrendamento e o Fundo Estadual de Transporte e Habitação, o Fethab, que passou a ser cobrado este ano em Mato Grosso. Aliás, o imposto sobre o milho é uma das grandes preocupações do produtor. “Quem paga 100% de arrendamento e ainda está no vermelho com a rentabilidade devendo as tradings, não tem como (pagar o Fethab). Porque a matemática é exata: 2 mais 2 são 4! Se você tem R$ 50 e deve R$ 60 faltam R$ 10. Ou seja, aí vai ficar inadimplente com o estado se realmente for cobrado esse Fethab do milho, com certeza”, calcula.
Em situação semelhante, o agricultor Leandro Cunha Candiotto é outro arrendatário que enfrenta momento difícil. O agricultor vendeu com antecedência 30 mil sacas de milho a R$ 18,50 cada, mas a lavoura não produziu o esperado. A quebra girou entre 5 e 10 sacas por hectare. Para tentar honrar os compromissos, terá que comprar milho no mercado pagando mais caro do que havia recebido, cerca R$ 24,50 pela saca grão.
Segundo o presidente do sindicato rural de Diamantino, José Aparecido Cazzeta, a margem da rentabilidade do milho é apertada. Ele colheu em média 95 sacas por hectare, apenas 11 a mais do que gastou para comprar os insumos. A diferença, no entanto, não representa o lucro e nem é suficiente para arcar com todas as despesas da fazenda. Com o pagamento do Fethab e do arrendamento da área, que juntos ‘’comem’’ outras 6 sc/ha, a rentabilidade do agricultor no final das contas será de apenas 5 sc/ha. Traduzindo em Reais, o produtor terá o equivalente a menos de R$ 100,00 por hectare, considerando o preço antecipado da venda do grão R$ 19,00.
Além de preocupado com este cenário, o presidente do Sindicato Rural também se diz indignado com o aumento dos custos que pesam sobre o milho. Na avaliação dele, “taxar o milho” é algo extremamente prejudicial aos produtores. A cultura que já sofre com baixos índices de lucratividade, aponta, pode ser ameaçada com o Fethab que tem pesado e muito no bolso dos agricultores.
Autor: Luiz Patroni | Fonte: Redação / Sindicato Rural de Sorriso | Foto: Reprodução
