Sem exportar para China, frigoríficos de MT terão retração da produção de carne

Com a suspensão da exportação de carne bovina para a China, a indústria frigorífica em Mato Grosso se prepara para uma retração momentânea de produção, para amenizar os prejuízos. Segundo informações do Sindifrigo, que é o sindicato que representa os frigoríficos no Estado, a média de abate semanal no Estado é de 250 contêineres. Dados do Imea apontam que a média mensal de abate de bovinos é de 443 mil cabeças, totalizando 1,7 milhão de cabeças no primeiro quadrimestre deste ano.

 

“Após a suspensão temporária das exportações de carne bovina para a China, é essencial que o setor busque o equilíbrio adaptando-se aos novos números do mercado. Adequações como redução da oferta de animais às indústrias, e a redução dos abates são imprescindíveis para amenizar prejuízos”, diz o sindicato, em nota.

 

A suspensão da exportação da carne bovina para a China foi uma medida cautelar adotada pelo Ministério da Agricultura, seguindo protocolo formalizado entre os dois países.

 

Em comunicado, a ministra Tereza Christina informou que espera uma resposta da China nos próximos dias, mas que a suspensão não deverá causar efeitos drásticos na economia do país, já que o caso de Vaca Louca, que foi identificado em Mato Grosso, é classificado como atípico e isolado.

 

A China é um dos principais mercados consumidores da carne bovina mato-grossense, no primeiro quadrimestre deste ano já comprou 31 mil toneladas do produto, rendendo US$ 90,17 milhões, ficando atrás apenas do Oriente Médio, que consumiu US$ 150 milhões no período, conforme dados compilados pelo Imea.

 

“Não é hora de acharmos culpados, tão pouco de fazermos acusações. Não podemos desvalorizar nossos produtos. A lei da oferta e procura não é como medida provisória em que se coloca emendas, perde validade ou se aprova com, ou sem ressalvas. Não será possível equacionar em pouco tempo este volume de produtos. Haverá uma perda de valores, que esperamos momentânea, até que o mercado encontre equação para este volume excedente”, aponta o Sindifrigo.

 

O sindicato demonstra ainda preocupação em restabelecer o equilíbrio do setor, mesmo que a cotação de preços dependa do mercado, e não dos elos de produção da cadeia produtiva. “Se por um lado se busca o equilíbrio e bom senso sem tirar proveito de uma situação, por outro seria irresponsabilidade pedir às empresas que trabalhem com prejuízos. O Sindifrigo conclama as empresas que representa para a busca do equilíbrio, da serenidade e do bom senso”.

Autor: Vinícius Bruno | Fonte: Redação / RD News | Foto: Reprodução