Sem terras se revoltam com morosidade do Incra e bloqueiam entrada de fazenda em Nova Ubiratã

Um grupo aproximadamente 50 sem terras bloquearam, nesta quinta-feira (14), três entradas que dão acesso á Fazenda Centro da Mata, localizada ás margens da rodovia MT-242, a cerca de 25 km de Nova Ubiratã.

 

Segundo o Presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais de Nova Ubiratã (APRONOVA), Carlos Antônio dos Santos, o protesto foi pacífico e teve por objetivo chamar a atenção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrário (Incra) pela demora na desapropriação da fazenda de 19 mil hectares e denunciar supostos crimes ambientais praticados pelo proprietário da área.

 

“Nós estamos a mais de 6 anos nessa luta e até agora nada. O que queremos é uma resposta dos órgãos responsáveis pela reforma agrária no Mato Grosso”, explicou.

 

Ainda de acordo com o líder do movimento, dos 19 mil hectares declarados pelo grupo Pirassurunga, dono da área, pelo menos 12 mil seriam irregulares. Ele ainda afirmou que o produtor estaria desmatando ilegalmente vários pontos da fazenda.

 

“O Incra esteve aqui fazendo a vistoria da área que foi considerada improdutiva, porém algumas semanas depois um novo laudo apontou que a fazenda é 100% produtiva o que não é verdade. Essa mudança repentina levantou suspeita quando a imparcialidade do órgão que ao nosso ver está favorecendo os grande latifundiários”, denunciou Carlos Antônio.

 

“Eles já me ameaçaram de morte, hoje mesmo uma das funcionárias da fazenda esteve aqui [bloqueio] tentando nos coagir”, complementou.

 

Na fazenda é possível perceber a movimentação de máquinas e trabalhadores, porém atualmente nenhum tipo de lavoura é cultivado.

 

Outro lado – A reportagem procurou o responsável pela fazenda que disse não ter autorização para comentar sobre as denuncias.

 

“A única coisa que posso lhe dizer é que aqui não tem nada ilegal ou irregular”, afirmou o trabalhador que não autorizou a divulgação de seu nome.

 

Por telefone a equipe de jornalismo do site ubirata24horas, entrou em contato com a superintendência do Incra no Estado que apesar da gravidade das denuncias preferiu não se pronunciar.

 

Fiscalização – As denuncias foram repassadas á Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) que se comprometeu em analisar o caso.

 

A manifestação foi encerrada no início da tarde. Felizmente nenhum incidente foi registrado.

Autor: Rafael Sousa | Fonte: Redação | Foto: Site ubirata24horas