Servidor da AL pode ter sumido com provas contra Riva; ele está afastado

A Assembleia instaurou Procedimento Administrativo-Disciplinar (PAD) contra o servidor Djalma Ermenegildo, suspeito de “dar sumiço” em documentos e informações a respeito do estoque de material de consumo entre 2008 e 2009, período em que ocupava o cargo de secretário de Administração e Patrimônio, sob indicação do ex-deputado José Riva (PSD).

 

A assessoria da Presidência confirma a existência do procedimento com afastamento das funções, no entanto, se manifestará sobre o caso somente após a conclusão das investigações iniciadas em junho.

 

O “sumiço” dos documentos teria servido para dificultar as investigações da Operação Imperador sobre suposto esquema que desviou R$ 62 milhões da Assembleia por meio de compras fraudulentas de material de escritório e gráfico. Com a ação do Gaeco, Riva foi preso em 21 de fevereiro, permanecendo quatro meses no sistema prisional.

 

A suspeita contra Djalma veio à tona quando a secretaria de Administração, Patrimônio e Informática da Assembleia respondeu o Memorando 906512015, da secretaria Geral, informando que não poderia encaminhar os documentos e informações sobre o estoque de material de consumo devido à inexistência deles. O atual titular da pasta, Francisco Xavier da Cunha Filho, culpou o antecessor e recomendou a adoção de medidas administrativas para apuração de responsabilidade. 

 

A conduta suspeita de Djalma ainda serviu para a juíza da 7ª Vara Criminal, Selma Rosane Santos Arruda, instruir os mandados de busca e apreensão da Operação Ventríloquo, desencadeada pelo Gaeco em 1º de julho. A ação foi motivada por suposto desvio de R$ 10 milhões da Assembleia através de fraude em transação bancária, em 2013. 

 

Nesse caso, a magistrada determinou a prisão de Riva e do ex-secretário-geral da Luiz Márcio Pommot. Outras 15 pessoas foram alvos de condução coercitiva e obrigadas a prestar depoimento no Gaeco.  

 

 Riva foi liberado ainda em 1º de julho, por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Já Pommot segue no Centro de Custódia de Cuiabá e não deve deixar a carceragem antes do final do recesso do Judiciário que dura ainda duas semanas. 

 

Conforme os autos, apesar de estar proibido de circular nas dependências da Assembleia por força de medida cautelar das Operações Ararath e Imperador, foi o próprio Riva que determinou o “sumiço” dos documentos e informações. A ordem teria sido repassada a Djalma por Pommot, que ainda tinha livre acesso ao Legislativo. 

 

Outro Lado

A reportagem tentou contato com Djalma Ermenegildo. Entretanto, o servidor não foi localizado. O advogado Ricardo Almeida, responsável pela defesa de Pommot, afirma que não foi notificado sobre o fato e aguarda a instrução processual para comprovar a inocência do cliente. A defesa de Riva, patrocinada pelos advogados Rodrigo Mudrovitsh e Valber Melo, também reafirma que as acusações contra o réu são infundadas.  

Autor: Jacques Gosch | Fonte: Redação / RD News | Foto: Facebook | Cidade: Cuiabá