Sindicato dos médicos de MT pede lockdown imediato no estado

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso (Sindimed-MT) se manifestou ontem segunda-feira (22) pedindo o fechamento imediato das atividades comerciais não essenciais no estado. A representação defende que as medidas adotadas pelos governantes até o momento são insuficientes para barrar o avanço da covid-19, que até este domingo (21) foi responsável por 6.813 óbitos em Mato Grosso. 

 

Em nota, o sindicato destaca que no atual momento o sistema de saúde carece de leitos e estrutura para atender a alta demanda de pessoas infectadas pelo coronavírus. “Hoje, o sistema de saúde no Estado de Mato Grosso está colapsado. Conclui-se que essa medida de quarentena ou lockdown já vem com atraso considerável. Adiar ainda mais essa decisão pode trazer ainda mais desgraças às famílias mato-grossenses”, traz um trecho do texto. 

 

Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, o médico Adeíldo Lucena, presidente do Sindimed-MT, afirma que há falta de planejamento no combate ao avanço da pandemia por parte dos governos municipal, estadual e federal. Para o médico, pouco foi aprendido desde o pico da primeira onda da doença no Brasil, há cerca de seis meses. 

 

“Medidas que já deveriam ter sido tomadas há muito tempo como capacitação dos profissionais de saúde, hospital de campanha, expansão adequada dos leitos de UTI para atendimento de covid-19. Isso nos três níveis de governo. Não organizou, programou, planejou. Agora vivemos o colapso e a situação tende a piorar. Por isso o Sindicato dos Médicos é favorável a medidas mais restritivas”, afirma Lucena. 

 

Ainda em nota, o sindicato aponta que se medidas mais restritivas não forem tomadas com rapidez, será o sistema funerário o próximo a sofrer com a sobrecarga. 

 

Confira o texto na íntegra: 

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso- Sindimed-MT vem a público exigir um posicionamento dos governantes de caráter mais restritivo e imediato, como medida para diminuir a infectividade pelo coronavírus.

 

As pessoas que hoje necessitam de uma vaga em enfermaria ou em uma unidade de terapia intensiva se contaminaram há cerca de 10 a 25 dias atrás. Hoje, o sistema de saúde no Estado de Mato Grosso está colapsado. Conclui-se que essa medida de quarentena ou lockdown já vem com atraso considerável. Adiar ainda mais essa decisão pode trazer ainda mais desgraças às famílias mato-grossenses.

 

A utilização de medidas mais restritivas tem o objetivo de interferir na cadeia de transmissão do vírus para aliviar os serviços de saúde, dando tempo de reestruturá-los e manter a assistência adequada à população. Vale ressaltar que essa reestruturação já deveria ter sido planejada com antecedência, considerando mais de um ano de pandemia e seis meses da primeira curva. Nesse primeiro momento os gestores deveriam ter treinado profissionais de saúde, expandindo o número de leitos de UTIs, construído um hospital de campanha e mais locais de atendimento de forma descentralizada. Mas não se organizaram, não planejaram.

 

O Sindicato alerta que se não forem tomadas essas medidas para conter a propagação do vírus, as pessoas vão morrer sem assistência médica e isso é uma situação extrema que pode inclusive sobrecarregar o sistema funerário.




 

Autor: Safira Campos | Fonte: Redação/PNB Online | Foto: Agência Brasil