Soja: Demanda crescente deve trazer equilíbrio aos preços no Brasil

mercado da soja registra um novo e delicado patamar de preços nesta temporada 2014/15. Em um mês, o vencimento novembro/14, referência para a nova safra dos Estados Unidos, caiu 6,99%, passando de US$ 10,59 para fechar em US$ 9,85 nesta sexta-feira (12) na Bolsa de Chicago. A baixa do janeiro/15, no mesmo período, foi de 7,12% e a cotação recuou de US$ 10,68 para US$ 9,92 por bushel. Nos portos brasileiros, a perda foi mais acentuada – de 9,68% – e os preços para a soja com entrega em maio do ano que vem hoje negociadas na casa dos R$ 56,00 por saca, há um mês valiam R$ 62,00. 

 

O mercado vem sendo pressionado, principalmente, pelo expressivo aumento da colheita norte-americana que, segundo o último boletim de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), deve totalizar 106,4 milhões de toneladas, com uma produtividade superior a 52 sacas por hectare. 

 

Por outro lado, de acordo com alguns analistas e consultores de mercado, o fator reponsável pelo equilíbrio dos preços será a força e o crescimento da demanda global por soja. Ao mesmo tempo em que projetou um aumento na safra dos EUA, o USDA aponta também para um maior consumo da oleaginosa nessa temporada, na casa dos 5,9%. 

 

“O crescimento da demanda por soja tem uma média anual (dos últimos 10 anos) de 4,2%, nesta temporada 2014/15, com uma previsão de queda dos preços, o USDA está prevendo um aumento do consumo para 5,9%, um aumento bem expressivo”, explicou Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest. 

 

As exportações norte-americanas de soja da nova safra foram estimadas em 46,3 milhões de toneladas para todo o ano comercial 2014/15 – que se encerra em 31 de agosto – e, até a semana que terminou no dia 4 de setembro, as vendas do país no acumulado do ano já somavam quase 24 milhões de toneladas, ou seja, 50% do volume projetado já está comprometido ainda em setembro de 2014. 

 

“O mercado já trabalha com níveis de preços na CBOT abaixo do que é a realidade em si em Chicago, da realidade dos US$ 10,00; o mercado de demanda ainda não mostrou seu potencial de crescimento em 2015 em função das cotações menores da principal fonte de proteína – que é a soja – e ainda não está chegando soja barata para o consumidor, tanto na Ásia como na Europa, e isso deve começar a acontecer a partir de dezembro, janeiro, aí sim o mercado vai ver a soja chegando ao ponto de consumo a níveis menores do que os atuais”, afirma o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

 

No início de 2015, segundo o consultor, o mercado deverá ver esse maior potencial da demanda, com o produto mais barato chegando ao mercado e dando melhores margens de renda, principalmente, à cadeia de proteína animal, com produção de carnes, ovos e e leite. “A matéria-prima das rações fica mais barata, dá mais lucros e as compras aumentam”, diz. “Porém, esse potencial maior do consumo ainda não impacta nas cotações”, completa Brandalizze, acreditando que preços melhores poderão começar a aparecer na virada do ano.

Fonte: Redação/ Noticias Agricolas | Foto: Ilustrativa | Cidade: Brasil