Taques aponta conotação partidária na greve e diz que “Fora Temer” é em Brasília

O governador Pedro Taques (PSDB) aponta conotação partidária na greve dos servidores do Estado que reivindicam o pagamento integral da Revisão Geral Anual (RGA) de 11,28%.  Afirma que alguns manifestantes   aproveitam a mobilização para gritar “Fora Temer” e “Volta Dilma” nas passeatas realizadas no Centro Político Administrativo (CPA). 

 

“Não posso ser responsabilizado por ter sido o primeiro governador a defender o afastamento da presidente Dilma Rousseff em razão da sua incompetência”, declarou em entrevista.

 

Taques reconhece o direito constitucional à livre manifestação. Entretanto, afirma que os manifestantes devem atacar o presidente interino Michel Temer (PMDB) e defender o retorno da petista  Dilma à presidência da República nos atos que ocorrem em Brasília. 

 

De acordo com Taques, os manifestantes precisam entender que a decisão de afastar Dilma foi tomada pelo Congresso Nacional sem participação direta de nenhum governador. “Não posso ser responsabilizado porque a Câmara dos Deputados  e o Senado  tomaram a decisão de afastá-la”, completou. 

 

Além disso, Taques reclama que tem sido atacado pelo ranço político e ideológico dos petistas que participam do movimento pela RGA dos servidores do Estado. O governador ainda afirma que os militantes do PT o atacam por ser filiado ao PSDB, tentando responsabilizá-lo por estragos feitos no passado pelo governo federal.  

 

“A União, neste ano, já deixou de repassar a Mato Grosso 140 milhões. A União é caloteira e cobra juros absurdos”, reclamou Taques, se referindo ao atraso nos repasses do  Auxílio Financeiro de Apoio às Exportações (FEX)  e aos R$ 1,1 bilhão pagos em 2015 referentes à dívida pública. 

 

 LRF 

Durante a entrevista, Taques também reafirmou a proposta do Executivo que pretende pagar 6% da RGA em três parcelas. O pagamento dos outros 5,28% em 2017 está vinculado à redução do gasto com pessoal para os 49% do limite prudencial previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Atualmente, o gasto está em 50,20%.

 

A proposta foi encaminhada à Assembleia em forma de projeto de lei. Agora, o Governo conta com a base aliada formada por 21 deputados estaduais para garantir a aprovação da mensagem já rechaçada pelo Fórum Sindical. 

 

Além de defender o parcelamento da RGA, Taques garante não temer desgaste pelo posicionamento. “Como governador, não posso ser responsabilizado por querer cumprir a lei. Vou cumprir a LRF. Aliás,  nesta semana, o TCE aprovou nossas contas por unanimidade com algumas ressalvas, entre elas,  que nós estouramos a LRF”, concluiu. 

Autor: Jacques Gosch | Fonte: Redação/ Midia News | Foto: Arquivo (ubirata24horas) | Cidade: MT