Trabalhadores da educação mantêm greve apesar da decisão da Justiça

Apesar da decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ) declarando a greve ilegal e do anúncio do governo em abrir procedimento administrativo disciplinar (PAD), os profissionais da rede estadual de ensino decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembleia geral realizada na tarde de ontem (05), pela primeira em frente à sede do Tribunal Regional do Trabalho (23º TRT), em Cuiabá. 


A assembleia foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), após reunião do Conselho de Representantes, que aconteceu no último fim de semana para avaliar os rumos do movimento. Nos debates realizados durante sábado e domingo, os presentes apresentaram a indignação da categoria com a ausência de proposta do governo. Na assembleia, os grevistas seguiram o Conselho e aprovaram o conjunto de resoluções tirado do encontro e, com apenas duas abstenções, decidiram manter a paralisação. 


“O quadro de mobilização relatado permanece o mesmo, com possibilidade de retomada de parcial de alguns profissionais que sofrem ameaças veladas infringida pela Secretaria de Estado de Educação, e também pela truculência aplicada com o corte de ponto. Contudo, a maioria acredita na continuidade da greve em defesa do direito dos trabalhadores e trabalhadoras da educação”, informou o Sintep. “A greve continua”, diziam eles ao fim da reunião. 


Durante a assembleia, o presidente do Sintep-MT, Valdeir Pereira, lembrou que, mesmo desde o início do movimento, em um documento encaminhado à categoria o governo já informava sobre possíveis medidas, como o corte de salários e a abertura do PAD. Medidas, consideradas pela categoria, como “pacote de maldades”. “Hoje (ontem), apesar do alvoroço, desde o início, já sabíamos do pacote de maldades que seriam efetuadas pelo governo”, disse. 


Ainda nos debates, o Conselho de Representantes reafirmou que a Lei 510/2013, vigente, é justa e válida, devendo o governo respeitar o cumprimento dela durante o mandato. O sindicato garantiu ainda que os educadores permanecem cobrando uma proposta para o pagamento dos 7,69% até a próxima data base, em maio de 2020, bem como, a recuperação das perdas salariais, desde maio de 2019. Sobre o corte de ponto, exigem que o governo faça a suspensão imediata do corte de ponto, referente ao mês de maio, junho e julho, com pagamento integral. 


Para o dirigente estadual do Sintep/MT, Henrique Lopes, a narrativa do governo está montada para colocar a sociedade contra os profissionais da educação. Com aparo legal e jurídico o governo sustenta argumentações superficiais das leis, apresenta intepretações equivocadas sobre gastos com folha e ainda, justifica cumprir reivindicações da categoria de forma maquiada (como a convocação dos concursados, reforma de escolas, salários dos profissionais). "A greve irá desvelar os números mentirosos apresentados pelo governo e esclarecer o por que a greve vai continuar no estado", acredita. 


Vale reforçar que o governador Mauro Mendes informou que vai abrir processo administrativo disciplinar (PAD) contra os profissionais que não retornem às salas de aulas e a Procuradoria Geral do Estado (PGE) orienta os grevistas a retornarem ao trabalho sob pena de demissão. No último dia 30 de julho passado, a desembargadora Maria Erotides Kneip, TJ-MT), declarou o movimento abusivo e determinou o retorno às salas de aula no prazo de 72 horas, prazo que se encerrou neste último fim de semana. O Sintep-MT informou que, assim que notificado, recorreria da decisão, que também estabeleceu multa de R$ 150 mil por dia de descumprimento. 

Fonte: Redação / Diário de Cuiabá | Foto: Reprodução / Ilustrativa