Traficante confessa que decolou da Bolívia e não de fazenda Maggi; plano de voo era falso

Apoena Índio do Brasil, piloto do avião interceptado pela Força Aérea Brasileira (FAB), no domingo (25), com 662 kg de cocaína, disse em depoimento à Polícia Federal que informou um plano de voo falso, com intensão de despistar as autoridades. Inicialmente foi repassado que a aeronave havia decolado da Fazenda Itamarati, arrendada pelo Grupo Amaggi, do ministro da Agricultura Blairo Maggi.

 

A interceptação aconteceu em território mato-grossense, mas o piloto não obedeceu à ordem de parada e por isso o avião com drogas foi atingido por um tiro e ele fez um pouso forçado em Jussara, interior de Goiás. A dupla que estava na aeronave fugiu e foi presa em Itapirapuã, à 40 km de Jussara,  e confessou que decolou da Bolívia.

 

"Ele [piloto] informou que repassou um plano de voo como se tivesse saído de uma fazenda em Mato Grosso, e que fosse a outra fazenda, mas, na verdade, como ele mesmo alegou, seria um plano de voo falso. Ele não saiu daquela fazenda", disse o delegado Bruno Gama em entrevista coletiva à imprensa de Goiás.

 

Além de Apoena, o copiloto Fabiano Júnior da Silva também foi preso. Eles foram vistos por moradores da região entrando em um hotel.

 

"Na aeronave foram encontrados alguns documentos pessoais […]. Moradores viram duas pessoas suspeitas que haviam entrado em um hotel. Quando chegamos lá identificamos que eles seriam as pessoas que fugiram do avião", afirma Gama.

 

A FAB informou, por meio de nota, que o destino de decolagem foi relatado em entrevista preliminar ao piloto. Porém, após a prisão a dupla revelou que na verdade, a aeronave decolou da Bolívia e seguia para Jussara, e não de Campo Novo do Parecis para Santo Antônio do Leverger, em Mato Grosso.

 

Amaggi

Após a divulgação inicial de que a aeronave havia decolado de uma das pistas da fazenda do grupo Amaggi. A assessoria de imprensa informou  que a parte da fazenda, que foi citada é arrendada e conta com 11 pistas autorizadas para pouso eventual, que são apropriadas para a operação de aviões agrícolas e que não demandam vigilância permanente. A Amaggi negou ter conhecimento sobre qualquer pouso ou decolagem dessa natureza.

 

O caso

A interceptação foi realizada pela FAB no domingo (25). O plano de voo do piloto revelava que ele ia de Campo Novo dos Parecis (396 km a Noroeste de Cuiabá) ao município de Santo Antônio do Leverger (35 km de Cuiabá).

 

Apoena foi ordenado pela Força Aérea que pousasse no aeroporto de Aragarças (GO), mas arremeteu a aeronave na hora do pouso, não respondendo mais às ordens.

 

Segundo a assessoria da FAB, nesse momento os militares no A-29 atiraram contra a outra aeronave – uma medida de persuasão para forçar o piloto do avião interceptado a cumprir as determinações da defesa aérea.

 

Os traficantes realizaram um pouso forçado no município de Jussara, interior de Goiás e fugiram abandonando a carga.

 

O delegado Bruno Gama afirmou que a investigação segue em busca de mais envolvidos. “Vai ser apurado a verdadeira procedência da droga e qual seria o destino final”.

Autor: Raul Bradock | Fonte: Redação / Repórter MT | Foto: Reprodução

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