Tribunal de Justiça aponta que 64 crianças estão prontas para adoção em MT

Interessado em adotar uma criança, o policial civil de Mato Grosso, Flávio de Souza Furquim, e sua esposa, Lúcia Marcoksi, decidiram entrar na fila de adoção. A decisão foi tomada em setembro de 2007, e em abril de 2008 o casal foi informado que tinha uma criança que estava disponível para a adoção. E aos 29 dias de vida, Gabriel Marcoski Furquim, foi morar junto com a sua nova família.
Mesmo tendo recebido Gabriel com poucos dias de vida, Flávio e Lúcia receberam acompanhamento de psicólogos e assistentes sociais, para garantir a inserção adequada e conseguir se adaptar a essa nova realidade.
Hoje com seis anos, Gabriel estuda a primeira série do ensino fundamental, e leva uma vida normal ao lado da sua família. Flávio se diverte ao lembrar de algumas situações que passaram assim que adotaram Gabriel.
“Houve alguns fatos engraçados, como quando saiamos com ele e o amamentava com mamadeira, diversas mulheres nos abordavam e falavam dos benefícios do leite materno”. Flávio explica que as dificuldades enfrentadas com a chegada do Gabriel foram as típicas de pais de primeira viagem.
Segundo Flávio, a família nunca escondeu de Gabriel que ele era adotado. “Contamos desde que ele era bebê que ele era adotado, através de historinhas”. De acordo com o policial, a família preferiu não ter conhecimento do passado da criança ou de sua família biológica.
A ideia de adotar uma criança, no caso o Gabriel, se deu pela dificuldade de Lúcia engravidar. Em consenso com o marido, os dois, então, resolveram buscar a adoção. “Após todos esses anos com a gente, eu tenho certeza que Gabriel veio para a família certa”, diz Flávio.
ADOÇÃO EM MATO GROSSO
Dados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso apontam de atualmente 810 crianças e adolescentes estão acolhidos em unidades de assistência social todo o Estado.
Desse total, 64 estão aptos para serem adotados, esses menores já foram destituídos do poder familiar e aguardam por uma nova família.
A retirada de uma criança ou adolescente da família biológica depende de vários fatores, entre eles risco de vida, maus tratos e abandono. Sempre que observado esses riscos, o menor é acolhido por unidades especializadas e órgãos responsáveis, como o Conselho Tutelar, acionam familiares próximos para verificar o interesse de permanecer com o menor. Caso isso não seja identificado, é iniciado o processo de destituição do poder da família, somente após este processo, a criança, que no caso já estaria recolhida em um abrigo, é considerada apta para a adoção.
O Estado possui 76 unidades de acolhimento, em Cuiabá são quatro entidades, o Lar da Criança e Meninas dos Olhos de Deus, que abrigam crianças de zero a 11 anos e 11 meses. Já a Casa da Retaguarda atende meninas com idade entre 12 e 18 anos, e o Projeto Nossa Casa, que atende meninos com a mesma faixa etária.
Do total de 64 crianças aptas para adoção, quase 90% delas possuem idade superior a oito anos, e as menores tem problemas de saúde, por isso na maioria das vezes continuam nos abrigos. A adoção para crianças com idade superior a oito anos é chamada de ‘adoção tardia’, e quando existem os casos em que os adotados são devolvidos ao poder público, as crianças estão inclusas neste grupo etário.
Para evitar essa ‘devolução’, o Tribunal de Justiça disponibiliza um psicólogo e uma assistente social para acompanhar o período de inserção dessa criança ou adolescente no novo grupo familiar.
De acordo com dados do TJ, 776 registros de famílias aptas para adoção, essas pessoas foram preparadas e acompanhadas por especialistas. Entre os habilitados estão casais homossexuais, que desde 2011 estão autorizados a adotar crianças, desde que seja comprova do a união estável do casal.
Fonte: Redação/ Assessoria | Foto: Reprodução
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