TSE suspende julgamento que pode deixar Bolsonaro inelegível

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu o julgamento de ação que pode tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível por oito anos. A sessão será retomada na próxima terça-feira, dia 27, às 18h (de Mato Grosso), quando os votos começarão a ser proferidos. A maior parte da sessão desta quinta-feira foi ocupada pela leitura do relatório do corregedor-geral eleitoral, Benedito Gonçalves. Ele será o primeiro a votar quando a sessão for retomada.
A sessão de abertura, desta quinta, também teve as sustentações orais das partes e leitura do parecer do vice-procurador geral eleitoral, Paulo Gonet, que reforçou a defesa da inelegibilidade de Bolsonaro e da absolvição de Braga Netto, que foi candidato a vice na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022.
Futuro político
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como uma "afronta" a possibilidade do Tribunal Superior Eleitoral suspender os direitos políticos dele. Para o ex-chefe do Executivo, caso ele seja condenado e fique inelegível por oito anos, a decisão pode desmotivá-lo a continuar 100% ativo na política.
"Na minha idade, eu gostaria de continuar 100% ativo na política Tirando os seus direitos políticos, que, ao meu ver, é uma afronta, você perde um pouquinho desse gás", afirmou o ex-presidente, em vídeo divulgado nas redes sociais dele.
O julgamento no TSE definirá o futuro político de Bolsonaro e de todo o campo da direita nas próximas eleições. Acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, o ex-presidente pode perder os direitos políticos e ficar sem disputar eleições por oito anos se for condenado, abrindo uma disputa pelo espólio bolsonarista nos próximos anos.
Enquanto a Corte Eleitoral decide o futuro dele, o ex-presidente realiza uma viagem a Porto Alegre. Nesta quinta-feira, as redes sociais do Partido Liberal divulgaram um vídeo em que Bolsonaro aparece tirando fotos com apoiadores dentro de um avião. O conteúdo tem com intuito mostrar um ex-chefe do Executivo sorridente e tranquilo, sem sinais de preocupação com o julgamento.
Bolsonaro foi questionado sobre a existência de conversas para um possível sucessor na disputa eleitoral pela Presidência, mas negou que exista essa articulação. "A gente não pode partir dessa linha porque pode parecer que estamos jogando a toalha", disse. Como mostrou o Estadão, caso o ex-presidente seja condenado, a herança bolsonarista cairá no colo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), querendo ele ou não.
Fonte: Redação/Estão Conteúdo | Foto: Reprodução
