Venda de colheitadeiras recua 10% em ano de supersafra e preços baixos no Estado

A venda de máquinas colheitadeiras em Mato Grosso registrou queda de 10% no ano passado na comparação com 2016. Apesar da supersafra obtida no ano, os preços ficaram abaixo da expectativa e, em 2017 foram comercializadas 936 equipamentos, enquanto no ano anterior haviam sido vendidas 1.040 unidades do maquinário agrícola.

 

Em 2017, foram comercializadas 936 colheitadeiras, enquanto no ano anterior haviam sido vendidas 1.040 unidades 

 

Mato Grosso fechou o ano como o terceiro maior comprador de colheitadeiras, atrás somente do Rio Grande do Sul (975) e Paraná (999). Os dados são coletados e foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

 

Apesar da baixa no número de compras de colheitadeiras, o Estado registrou alta nas vendas de outros dois equipamentos agrícolas. Os tratores de esteira, por exemplo, aumentaram suas vendas em 83%. Em 2016 foram negociadas 6 unidades, enquanto no ano passado foram 11 equipamentos vendidos, deixando Mato Grosso como o 7º estado que mais investiu no equipamento.

 

A maioria dos equipamentos (6) negociados foram da classe “B” da Anfavea, que corresponde a máquinas entre 91 e 130 HP (Horse Power), que indica o valor medido no eixo motor, com os acessórios necessários para ligá-lo e funcionar autonomamente.

 

Na categoria dos tratores de roda houve um leve aumento de 2% nas vendas, saindo de 2.071 vendas em 2016 para 2.113 no ano passado. Atrás de unidades federativas como Pará, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, Mato Grosso ficou somente na 7º colocação entre os maiores compradores do produto.

 

Juntando as três categorias, foram negociados 3.060 equipamentos agrícolas em Mato Grosso, em 2017, que na comparação com os 3.117 de 2016 demonstram uma pequena queda de 1,8% nas saídas.

 

O empresário Walter Zacarkim, proprietário da loja Vegrande Máquinas Agrícolas, uma revendedora da marca New Holland em Várzea Grande, explica que as vendas em sua loja acompanharam o cenário estadual.

 

“Nesse ano nós vendemos bastante tratores para a pecuária, que é para onde nosso negócio é voltado. Para a agricultura vendemos colheitadeiras em grande parte para Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso. E sempre máquinas grandes, de até R$ 1,2 milhão, o que indica que tivemos um 2017 de recuperação”, comenta.

 

Ainda sobre o ano passado, ele lembra que apesar da supersafra, os produtores de milho não conseguiram bons preços e isso foi um dificultador. O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Antônio Galvan, reitera que a supersafra não ajudou a garantir aumento de renda ao produtor.

 

"A grande safra na verdade não ajudou o produtor na renda, aliás, muito pelo contrário. A grande maioria não conseguiu uma rentabilidade relevante e por isso tivemos casos até de agricultores que tiveram um pouco de problema para pagar as máquinas compradas anteriormente por meio de parcelamento", afirma.

 

Para superar essa questão, o empresário defende que a abertura da primeira usina de etanol exclusivamente de milho instalada em Mato Grosso, em Lucas do Rio Verde, fará com o que o produto mato-grossense tenha um valor agregado, aumentando o custo da revenda do produto final.

 

Futuro

Walter comenta que o setor está bastante otimista para 2018 e que seu empreendimento espera uma alta de 10% nas vendas, um crescimento relevante após quase quatro anos de estagnação do país. Ele acredita que mais do que o cenário propriamente econômico, a questão política deve pesar favoravelmente dessa vez.

 

“As coisas estão tomando um rumo diferente, a gente percebe. Aparentemente o risco Brasil vai diminuir e com isso vamos reconquistar a confiança do mundo. Esses sinais aparecem em eventos como a condenação do (ex-presidente) Lula, que todos estavam esperando. No dia seguinte, o dólar já baixou e a Bolsa registrou alta”, comenta.

 

Ele acrescenta ao argumento a lembrança sobre a realização das eleições, fator que deve aumentar a circulação de dinheiro no Brasil. O empresário argumenta, ainda, que o agronegócio deve continuar em um bom momento e consequentemente continuará sustentando grande parte do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

 

O presidente da Aprosoja é um pouco mais cauteloso na análise e afirma que por enquanto os preços pagos aos produtores ainda estão achatados. "Não quero dizer que não teremos vendas de maquinário, na verdade teremos, claro. O problema são as grandes vendas, essas eu acho mais difícil de acontecer nesse primeiro momento", declara.

Autor: Carlos Palmeira | Fonte: Redação / Rd News | Foto: Reprodução