Violência política chega ao extremo no país nos últimos 4 anos, aponta analistas

O assassinato do lulista Benedito Cardoso, cometido pelo eleitor do bolsonarista Rafael Silva em uma chácara do município de Confresa (1,135 km de Cuiabá), ganhou as páginas nacionais. Conquistou, inclusive, 12ª posição entre os assuntos mais comentados no Twitter no Brasil sob a hashtag “bolsonarimo mata”.
Apesar do autor do crime confessar que o desentendimento que resultou na morte de Benedito, após 15 facadas, começou por conta das discordâncias ideológicas, o crime dividiu opiniões entre os políticos mato-grossenses.
A despeito da repercussão nacional, o candidato à reeleição ao Senado do partido do presidente Jair Bolsonaro (PL), Wellington Fagundes, fez declarações sobre o assassinato considerando-o um "incidente" e um "fato isolado". O governador Mauro Mendes (UB) lamentou a morte de Benedito, mas destacou que nem toda violência pode estar atribuída a motivações políticas. A deputada federal Rosa Neide (PT) ponderou que o atual cenário político no país é de morbidez, ao destacar que os eleitores pouco participam do processo, lembrando que muitos se recusam a declarar voto ou até mesmo pregar “santinho” por medo de sofrer violência.
ANÁLISES
A reportagem, o analista político Vinícius de Carvalho destacou que a violência política existe de ambos os lados nessa polarização que ficou evidenciada nos últimos quatro anos.
“Há uma dificuldade de diálogo pela distância entre as partes e o grau de fanatismo é muito grande. São dois grupos políticos que têm seus fanáticos. Do lado do Lula, sempre teve fanáticos, mas é porque não existia alguém carismático que fosse capaz de despertar essa paixão. Os tucanos tinham um perfil mais burocrata e não tinha esse perfil carismático que despertou esse sentimento aos apoiadores da direita – o que ajuda explicar esse radicalismo da parte deles”, comentou Vinicius.
Para o analista político João Edison, a tendência, em eventual segundo turno, é de que fique cada vez pior.
“A violência política ela nunca esteve durante um processo eleitoral em tanta evidência como está agora. Já tivemos na década 30 o assassinato de um candidato a vice-presidente da República (ele se refere a João Pessoa, candidato a vice-presidente de Getúlio Vargas, em 1930). Tivemos, há quatro anos, um atentado contra o candidato a presidente em uma sacada, mas isso sim foram casos esporádicos, isolados. O problema que a gente enxerga a violência só quando há um caixão e uma pessoa dentro. Não, a violência vai muito além disso”, destacou o analista.
Ainda de acordo com ele, a violência ela está nas redes sociais, está nos grupo de família, nos grupos que foram organizado por WhatsApp por empresas, por associações, por relações de trabalho e até em grupos de amigos.
“Tem pessoas que não estão se falando. O diálogo está violento. As perguntas estão violentas. A publicidade eleitoral está violenta. Você vê pessoas falando absurdos. Tem gente fazendo propaganda e no final gritando caveira. Isso é um grito da polícia quando sai pra guerra, né? Pro enfrentamento com bandidos”, destacou João Edison.
Ainda analisando, o comentarista ressaltou que a violência política acontece Brasil afora, de hora em hora, mas que o problema só vem à tona quando alguém é assassinado.
“O assassinato é o fim da ponta da violência. Aqui não é uma questão de estar de um lado ou do outro. Existe violência dos dois lados. Mas existe um lado que ele está sendo mais violento que o outro. Tem um lado que está necessitando da violência para impor o medo e para adquirir adeptos. Nós estamos numa escalada muito perigosa. Se nós tivermos segundo turno, deve ter mais violência ainda, porque daí você tira todos os outros e você amplia o campo da violência. Essa é eleição mais violenta de todos os tempos. E daqui até o dia da eleição, a probabilidade é ficar cada vez pior”, finalizou.
Fonte: Redação/Hipernotícia | Foto: Divulgação
