Polícia Civil suspeita que madrasta envenenou menina desde janeiro

Uma testemunha ouvida no inquérito policial revelou que meses antes da menina Mirella Poliane Chue de Oliveira, 11 anos, morrer por envenenamento, foi procurada pela madrasta dela, Jaíra Gonçalves de Arruda, 42 anos, para saber com quem ficaria a casa se a enteada morresse. Mirella faleceu no dia 14 de junho após ser atendida em um hospital particular de Cuiabá.

 

Suspeita de ter causado a morte de Mirella, a madrasta está presa desde 9 de setembro e a Polícia Judiciária Civil prorrogou na quarta-feira (9) passada sua prisão por mais 30 dias.  Segundo a investigação, Jaíra teria utilizado um veneno com venda proibida, ministrando gota a gota a enteada, em pequenas doses, durante dois meses, entre abril e junho de 2019, para ficar com a herança da menina.

 

De acordo com a reportagem da TV Centro América, que teve acesso ao depoimento, a testemunha, cujo nome é mantido em sigilo, disse que foi procurada por Jaíra, que queria tirar dúvidas sobre “sucessão familiar”. A madrasta perguntou com quem ficaria a casa que estava em nome de Mirella e da avó materna, caso alguma coisa acontecesse com a menina e também com a avó.

 

Seu interesse era saber quem seriam os herdeiros legais, do patrimônio que estava em nome de Mirella. A avó materna, dona Claudina, contou que Mirella emagreceu muito rápido de fevereiro para cá.

 

A neta disse para ela que foi Jaíra que “cortou o leite”, com a desculpa que era para que ela emagrecesse. A polícia não descarta que o envenenamento pode ter começado em fevereiro ou em janeiro deste ano.

 

MOTIVAÇÃO

Conforme o inquérito conduzido pela Deddica (Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente) de Cuiabá, a morte foi motivada por uma herança milionária que a menina tinha recebido, ao nascer, fruto de uma indenização pela morte de sua mãe, durante o parto dela em um hospital, na Capital, por erro médico.

 

A ação foi movida pelos avós maternos da criança, que ingressaram na Justiça pleiteando a indenização. Em 2019, após 10 anos, foi encerrado o processo, com a família ganhando a causa no valor de R$ 800 mil.

 

Parte do dinheiro ficaria depositado em uma conta para a menina movimentar somente na idade adulta. A Justiça autorizou que fosse usado pequena parte do dinheiro para despesas da criança, mas a maior quantia ficaria em depósito para uso após a maioridade, aos 24 anos.  

 

O pagamento do valor da indenização começou em 2019. A menina era criada pelo avós paternos. Em 2017, a avó morreu e no ano seguinte (2018) o avô faleceu também, passando a garota a ser criada, naquele mesmo ano, pelo pai e madrasta. A partir daí a madrasta iniciou o plano para matar a criança com o objetivo de ter acesso ao dinheiro.

Autor: Carlos Martins | Fonte: Redação / Folha Max | Foto: Reprodução