E-mails revelam que Mato Grosso exigiu documento e negócio não avançou

Governo de Mato Grosso confirmou na tarde desta segunda-feira (5) que recebeu proposta de um suposto representante da empresa norte-americana Davati Medical Suply oferecendo doses da vacina Janssen.
Como mostram emails fornecidos pelo Paiaguás, a negociação não foi para frente porque o intermediário não apresentou uma carta de representação da Davati com a Jonhson & Johnson, à qual à Janssem é ligada.
A troca de mensagens ocorreu no dia 24 de março deste ano.
Um suposto representante Davati, identificado com Helder Mello, encaminhou e-mail para o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, com oferta de vacinas contra a Covid-19.
Conforme o e-mail, as vacinas seriam oferecidas ao custo de U$ 14 por dose, com prazo de entrega de até 10 dias após a assinatura do contrato. Ainda conforme o email, não seria necessário o pagamento antecipado.
"Não é necessário o pagamento antecipado, o pagamento será feito através de uma conta Escrow aberta no seu banco de preferência", consta em trecho da mensagem.
Em resposta à oferta, o secretário Mauro Carvalho solicitou uma carta de representação da empresa com a fabricante.
"Tem como enviar a carta de representação da Davati com Johnson", diz trecho do e-mail do chefe da Casa Civil.
Segundo informações do Governo do Estado, o documento não foi apresentado e o Paiaguás não deu sequência a nenhuma tratativa com a empresa.
Veja fac-símile dos e-mails:

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Entenda
Uma reportagem divulgada pelo Fantástico neste domingo (4) revelou que mensagens encontradas no celular do cabo da Polícia Militar de Minas Gerais, Luiz Paulo Dominguetti, revelam que o Governo de Mato Grosso também foi procurado pelo esquema de venda paralela de vacinas contra a Covid.
Dominguetti é investigado no caso. Ele se apresentava como representante da Davati Medical Supply, empresa com sede nos Estados Unidos e que seria intermediária na venda de imunizantes.
O telefone de Dominguetti foi apreendido durante sessão da CPI da Covid na quinta-feira (1º). Em uma das mensagens, ele diz a um interlocutor que Mato Grosso tem interesse na compra de doses da vacina Janssen, que é ligada à Johnson & Johnson.
O aparelho ainda está sendo periciado, mas a reportagem levantou que cerca de 900 caixas de diálogos em aplicativos de mensagens já foram analisadas preliminarmente.
"Estamos negociando algumas vacinas em números superior a 3 milhões de doses. Neste caso a comissão fica em 0,25 centavos de dólar por dose", teria escrito Dominguetti, em uma mensagem enviada no dia 10 de fevereiro a um contato identificado como Guilherme Filho Odilon. ´
Autor: Cíntia Borges | Fonte: Redação/Mídia News | Foto: Reprodução
