Conselho quer cassar título de cidadão de MT do empresário que xingou uma lésbica

O Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual de Cuiabá repudiou o ato do empresário Paulo Henrique Bortolotto, 47 anos, contra a atendente de um restaurante do Estação Shopping. A entidade pediu que a Assembleia Legislativa retire o título de cidadão mato-grossense que foi concedido a ele pela instituição em 2017.
Na última quinta (17), o empresário foi preso após proferir ofensas de cunho homofóbico contra uma jovem de 26 anos. Segundo o boletim de ocorrência, ela estava atendendo Bortolotto quando ele arremessou no chão a máquina de cartões do estabelecimento e danificou o aparelho.
A vítima, que é assumidamente lésbica, disse que ao se aproximar do suspeito, ele a pegou pela blusa e tentou retirar a roupa dela. Neste momento, conforme o boletim de ocorrência, o suspeito disse: “vou fazer você virar mulher, vou chupar sua b***".
O caso gerou repercussão nas redes sociais e causou revolta em representantes do movimento LGBTI.
Por meio de nota, o Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual de Cuiabá repudiou a postura do empresário e classificou o ato como "machista e lesbofóbico” – este último termo se refere a preconceito contra lésbicas.
“Casos de agressão e assedio sexual como estes contribuem para o crescimento da violência contra mulheres e a população LGBTI. O poder financeiro não pode servir para que se fique na impunidade”, afirmou a entidade.
O conselho apontou que no ano passado houve mais de 4 mil feminicídios no Brasil e pontuou que atos como o do empresário estão se tornando comuns na sociedade. “Cabe a cada um/a a luta em defesa dos Direitos Humanos e contra toda forma de violência”, asseverou.
A entidade pediu que, diante da denúncia formalizada pela jovem por meio do boletim de ocorrência, a Assembleia Legislativa retire um título de cidadão mato-grossense concedido ao empresário pelo suplente de deputado estadual, na época em exercício, Jajah Neves (SD), em setembro de 2017.
“Reafirmando assim que os representantes, eleitos de forma democrática, não reforcem atitudes machistas e preconceituosas, reforçando a cobrança de que a Justiça se faça”, argumentou a entidade. Por fim, o conselho afirmou que seguirá acompanhando o caso.
A Assembleia Legislativa não se pronunciou sobre a situação até a tarde deste domingo (20).
O empresário, que foi liberado logo após prestar esclarecimentos, não se pronunciou sobre o caso. Ele responderá em liberdade.
Fonte: Redação / RD News | Foto: Reprodução
