Durante discurso em Brasília Senador chama Incra de Mato Grosso de Capenga

A crítica em tom de desabafo partiu do senador mato-grossense José Medeiros (PPS), durante discurso proferido no senado, nesta quinta-feira (02) em Brasília.
Na ocasião o político criticou duramente a falta de estrutura do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Estado, afirmando que isso resulta em demora na regularização de assentamentos e na crescente revolta dos movimentos de trabalhadores rurais.
Medeiros ainda classificou o Incra de Mato Grosso de “capenga”, e chamou a atenção para as manifestações de assentamentos que fecham rodovias no estado de modo a impedir o transporte de grãos na Região.
Segundo o senador, existem cerca de 430 assentamentos no Estado, mas a escassez de planejamento tem levado os trabalhadores a depender de auxílios do governo.
“Da mesma forma que precisamos planejar estradas, precisamos planejar portos, precisamos planejar também esses assentamentos. Não tem como simplesmente pegarmos parte de uma favela da cidade e transformar numa favela no campo”, disse o senador.
Critica de deputado:
No último dia 29 (segunda-feira), a morosidade da entidade também foi criticada pelo Deputado Estadual Zé Carlos do Pátio (SD), que durante reunião com o vice-presidente nacional do órgão, Leonardo Góes da Silva, cobrou mudanças emergenciais.
Entre elas a troca da superintendência e a revisão das vistorias feitas nas fazendas que foram consideradas improdutivas pelo próprio Incra, mesmo havendo plantações nas áreas.
De acordo com o parlamentar, a situação entre os trabalhadores e o Incra já é conflituosa, e vários acordos já foram firmados, mas nenhum cumprido. Pátio ainda criticou o governo federal, afirmando que as reformas agrárias aconteciam principalmente na gestão do PSDB, e que agora foram dadas as costas para Mato Grosso.
Ameaça de greve:
A ineficiência do órgão tem gerado a revolta até mesmo dos servidores, que no dia 1º de junho (2015), deflagraram uma greve exigindo melhores condições de trabalho, além da reforma do prédio da unidade, e a contratação de uma nova empresa para realizar os serviços de limpeza, o que segundo os trabalhadores vinha sendo feito pelos próprios servidores, que chegaram a fazer “vaquinha” para comprar produtos de limpeza.
“A gente reclama há tempos sobre a situação do Incra. Tivemos cortes de verba e, desde quinta-feira [28], por causa do nosso movimento grevista, fomos ameaçados de sofrer corte de ponto de trabalho”, afirmou Roosevel Motta, presidente da Assincra (Associação dos Servidores do Incra).
Atualmente a entidade no estado é administrada pelo superintendente, Salvador Soltério Almeida, e por Osmar Rosseto (PT), ex-prefeito de Nova Ubiratã, que foi empossado em fevereiro de 2013, no cargo de Chefe da Divisão de Desenvolvimento da Superintendência Regional do Incra.
Na ocasião Chiquinho, como é popularmente conhecido, substituiu o servidor de carreira Fred Cebalho, transferido para o cargo de assistente de administração, a pedido, do na época superintendente do órgão, e também filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), Valdir Barranco.
Apesar das seguidas mudanças e promessas de melhorias no setor, o Incra foi de mal a pior, chegando ao ponto de ser praticamente sucateado, perdendo a credibilidade, e tirando a paciência de milhares de famílias que aguardam pela tão sonhada reforma agrária.
Fonte: Redação / Assessoria | Foto: Divulgação | Cidade: Mato Grosso
