Recém-nascida do interior morre à espera de UTI; 2º caso em menos de 1 semana

Uma menina recém-nascida e indígena morreu, na noite desta terça (23), após esperar 15 dias para ser transferida para uma UTI neonatal. Ela não resistiu e veio a falecer na UPA de Sinop (a 500km de Cuiabá). É o segundo caso de morte, em menos de uma semana, de bebês do interior de Mato Grosso que aguardam transferência para leitos de alta complexidade.
A suspeita é que a recém-nascida tenha falecido de meningite. A Defensoria Pública conseguiu inclusive uma liminar, no mesmo dia que ela deu entrada na UPA, para transferi-la de hospital em que tivesse UTI. A menina precisava de atendimento de alta complexidade e aguardava consulta com neurologista.
No mesmo dia, a Prefeitura de Sinop notificou a Secretária de Estado de Saúde (SES) sobre a necessidade da UTI. Porém, nada foi feito e a criança veio à óbito na noite de ontem. A recém-nascida é da etnia Kaibi, que fica localizada no Parque Indígena do Xingu.
A Prefeitura lamentou o falecimento e informa que fez contatos diários para solicitar a vaga para a paciente. O município ressalta que a UPA não é unidade para atendimentos de alta complexidade. Ainda há outros casos de alta complexidade na UPA que aguardam transferência para leitos de UTI.
Em nota, a SES reconheceu a necessidade de transferência, confirmou o óbito da bebê e disse que a causa foi devido a um quadro de pressão intracraniana. A pasta informou que não havia encontrado uma vaga com o perfil que a recém-nascida exigia.
"Neste contexto, a SES-MT enfatiza que trabalhou incessantemente na busca pela viabilização de uma vaga de UTI, da mesma forma que está empenhada na resolução de outros casos em Mato Grosso", informa
A primeira morte
Outro caso de morte de recém-nascido, de Campo Novo do Parecis, também foi registrado na última quinta (18). Ela também aguardava uma UTI neonatal num hospital público. Chegou a ser transferida para um hospital particular na Capital. Passou por cirurgia e, no pós-operatório, teve complicações.
Os pais do bebê só conseguiram a vaga no hospital privado depois de contrair um empréstimo. A outra parte do custeio conseguiram arrecadar fazendo uma vaquinha online. Eles conseguiram R$ 18 mil, valor suficiente para cobrir apenas três dias na unidade particular.
A recém-nascida foi diagnosticada com cardiopatia congênita. A enfermidade podia levá-la à morte, caso não recebesse o tratamento adequado.
Os pais lamentaram a morte da filha em um post no Facebook: “Deus chamou ela para exercer o cargo de anjo ao lado dele”. Amigos e parentes também postaram mensagem de luto. "Mas um anjo no céu", diz um dos internautas.
Autor: Allan Pereira | Fonte: Redação / RD News | Foto: Reprodução
